—Ah! agora entendo a carta d'ella. É uma boa rapariga a final.
E D. Luiz tinha nos labios, ao dizer isto, um sorriso de sympathia, que lhe suavisava a dureza habitual das feições.
A agradavel doçura que o fidalgo da Casa Mourisca estava saboreando com a presença e o conversar de Bertha foi interrompida por umas pancadas timidas na porta do quarto, que elle escutou de má vontade.
—Quem está ahi?—perguntou quasi irritado.
—Licet?—murmurou a voz do padre fóra da porta.
—Entre quem é—respondeu D. Luiz, ainda mais irritado depois de conhecer a voz.
O padre entrou subitamente, cortejou Bertha com olhos desconfiados e avançou com passos vagarosos.
—Que é o que quer, frei Januario?—perguntou D. Luiz desabridamente.
O padre continuou a aproximar-se do leito e respondeu melifluamente:
—Os filhos de v. exc.ª, os snrs. D. Jorge e D. Mauricio, pedem licença para lhe fallarem.