Como dissemos, Mauricio, imaginando que á sua nova paixão pela baroneza não seria indifferente o coração de Bertha, recebia d'essa ideia, que aliás o mortificava, um estimulo que atiçava aquella paixão. Subita e inesperadamente porém veio uma noticia desvanecer-lhe estas illusões. Foi a do proximo casamento de Bertha, que a Anna do Védor lhe deu, respondendo assim com ar triumphante ás duvidas que elle em tempo antepozera contra tal união. Anna assegurou-lhe que Bertha e toda a familia haviam acolhido com favor a ideia, e que o mesmo Jorge a apoiára.
Esta revelação impressionou Mauricio. Seria possivel que Bertha não sentisse por elle affecto algum? Ter-se-ia elle illudido, imaginando havel-a impressionado? Haveria antes em tudo isso um plano de Jorge?
Estas suspeitas despertaram-lhe uma leve irritação de vaidade e avivaram as quasi apagadas impressões, que lhe restavam no coração da imagem de Bertha. N'esse dia passou duas vezes pela Herdade.
Estava pois em imminente risco a paixão por Gabriella, quando a repentina partida d'esta e a sua carta de despedida lhe fizeram outra vez pender o coração para aquelle lado.
Todos os despeitos gerados com a noticia de Anna do Védor dissiparam-se perante os despeites novos.
Acabando de lêr o bilhete de Gabriella, Mauricio pensou em montar logo a cavallo e seguir no encalço da baroneza, até attingil-a. Custou a persuadil-o da conveniencia de moderar a precipitação dos seus projectos. Decidiu porém apressar quanto podésse os preparativos da jornada e partir n'aquelle mesmo dia para Lisboa. A permanencia no campo era-lhe já insupportavel.
Foi sob estas impressões que, em companhia de Jorge, elle entrou no quarto de D. Luiz.
O pae revestiu-se outra vez do seu aspecto de severidade ao dirigir aos filhos um olhar interrogador.
Mauricio fallou primeiro:
—Ha muito que está projectada a minha partida para Lisboa. A prima Gabriella sahiu esta manhã para lá, e escrevendo-me, deixou-me dito que me ficava esperando. Venho pedir a v. exc.ª authorisação para partir hoje mesmo.