D. Luiz respondeu sêcamente:
—Póde ir. Falle a frei Januario para lhe dar o dinheiro de que precisa.
Em seguida voltou o olhar para Jorge, como convidando-o a expôr o motivo da sua visita.
Jorge aproximou-se e, abrindo uma pasta, apresentou ao pae um masso de papeis.
—Desejava que v. exc.ª examinasse esses documentos e titulos, que dizem respeito a propriedades nossas e a contractos antigos, e que eu puz em ordem com o fim de facilitar o exame.
—Mas para quê? Eu não quero estar com isso. Que necessidade ha de incommodar-me com essa papelada?
—É porque depois desejava expôr a v. exc.ª os planos que concebi, e no caso de merecerem a sua approvação, pedir-lhe licença para proceder em harmonia com elles.
—Eu não tenho cabeça para entrar n'essas investigações. Tive sempre por costume deixar os negocios confiados a procuradores.
—Se v. exc.ª me authorisa ainda como tal eu não o incommodarei.
D. Luiz sentia que depois das ordens terminantes que dera ao padre Januario, em um momento de despeito contra o filho, tinha motivo para irritar-se ao vêr Jorge em flagrante desobediencia, occupando-se ainda da administração da casa. Mas a violencia do despeito abrandára, e interiormente o fidalgo estimava ter sido desobedecido.