Clemente sahiu mais pensativo do que viera.
O desconsolado noivo estranhára Jorge. A maneira por que elle lhe fallou fôra tão fria e desabrida e de tão difficil explicação, que não podia Clemente atinar com o motivo d'aquillo. A ultima reflexão, sobre tudo, deixou-o muito sentido. Jorge pozera em duvida o direito que elle tinha de consultar sua mãe n'este negocio! Pois não era ella a mais natural conselheira que elle tinha no mundo? E não pedia o caso o conselho de pessoa experiente?! Poderia Bertha levar-lhe a mal a precaução que tomava principalmente em vista da felicidade d'ella?
Mas emfim Jorge dissera-o e Clemente, a seu pesar, começou a sentir escrupulos.
De feito aquelle segredo não era seu, e Bertha não o tinha authorisado a revelal-o. Já em communical-o a Jorge exorbitára.
E no meio d'estas alternativas de resoluções entrou cabisbaixo e assombrado em casa, e não fallou em coisa alguma a sua mãe.
Esta ao vêl-o assim, attribuiu o facto a impaciencias do amor. A ida de Bertha para a companhia do fidalgo prorogára o prazo para a fixação do casamento, e Anna do Védor conjecturou que era isso que contrariava o filho.
Resolveu pois fallar a Thomé para apressar quanto podésse a festa, porque ella sabia que D. Luiz estava melhor, e que até já andava a pé, e portanto era justo que prescindisse de Bertha, que não se destinava a fazer-lhe eternamente companhia.
XXXI
Chegaram cartas da baroneza e de Mauricio, datadas de Lisboa. As noticias que davam eram satisfactorias. Mauricio fôra hospedado em casa de um primo remoto de D. Luiz e por elle introduzido nos primeiros circulos da cidade, onde recebeu um lisongeiro acolhimento.
Mauricio achava-se n'aquelle mundo, novo para si, como se n'elle tivesse sido educado. Sentia-se bem alli, agradavam-lhe aquelles habitos de elegancia e de distincção, que não conhecêra no canto de sua provincia, mas cuja necessidade vagamente experimentava havia muito tempo. Era para aquelle viver que os seus instinctos o inclinavam.