—Mas avia-te, filho, que eu tenho que fazer lá dentro. Já sei que me vaes fallar no casamento.
—É verdade, vou fallar-lhe no casamento que se não faz.
—Que se não faz?!—repetiu Anna, dando um salto e fitando no filho os olhos espantados.—Tu que dizes?
—Isso mesmo que entendeu. Que se não faz.
—E então porque é que se não ha de fazer?
—Porque pensei melhor.
—Ora vae pensar para os quintos. Olha agora! Viu-se já um disparate assim? Pensaste melhor em quê e porquê?
—Olhe, minha mãe, vossemecê bem sabe que eu não sou nenhuma criança capaz de fazer as coisas no ar. E por isso eu que lhe digo que o tal casamento não deve fazer-se é porque…
—E então criança sou eu, para tu nem sequer me dares a importancia de me dizer o porquê? Olha que teu pae até bem velho se aconselhou commigo, apesar de ser homem ajuizado, e não tenho lembrança de o haver feito nunca arrepender por isso. Olha agora!
—Pois tambem eu lhe direi tudo, mas é se vir a mãe mais bem disposta a ouvir-me com socego.