A Anna do Védor empurrou o hombro do filho, e fez um gesto que, combinado áquelle movimento, exprimia a mais radicada duvida.

—Vae-te d'ahi! Olha agora o disparate! Ora, ora…

—Creia que é verdade.

—Pois a tola da rapariga… metter-se-lhe-ia em cabeça?…

—Não se lhe metteu em cabeça coisa nenhuma. Gosta d'elle, mas sem esperança, e tanto que não hesita em casar com outro. Mas o peior é que Jorge ainda gosta mais d'ella talvez. E Deus queira que isto não venha a dar cabo d'elle!

—O quê? A dar cabo d'elle!

—Pois se vossemecê o visse! É olhar-lhe para a cara e diz-se logo: este rapaz tem coisa que o roe lá por dentro. Eu não suspeitava o que fosse, mas agora que pensei…

—Mas como é que tu vieste a saber isso?

Clemente contou á mãe as entrevistas que tivera com Jorge, e a maneira estranha por que elle o recebêra, a irritação com que o ouvira fallar em Bertha, a singularidade das reflexões que lhe fez e dos conselhos que lhe deu, e a Anna do Védor acabou por convencer-se de que o filho acertára.

Tinha um compassivo coração a boa mulher e, como dissemos, era perdida por Jorge, a quem amava quasi tanto como ao filho. Por isso tomou logo o partido d'elle, e exclamou: