—Mas então porque não ha de esse rapaz casar com a pequena, se gosta assim d'ella?

—E o pae?

—O velho? Isso lá é verdade. O fidalgo é pêrro, mas adeus, primeiro está o gosto de cada um, e quando o amor é de raiz, tolice é querer arrancal-o.

E depois de curta meditação, acrescentava:

—Mas vejam como o demonio as arma! aquelle rapaz, que parecia nem sequer pensar em que havia raparigas n'este mundo, deixar-se logo embeiçar por aquella! por a filha do Thomé da Herdade, que se o fidalgo o via por sogro de um filho seu, era para estoirar de paixão! Sempre é uma! Ó Clemente, pois devéras isso será assim?

—Quasi que ia jural-o, minha mãe.

—Quem me déra encontrar o rapaz, que logo lh'o pergunto.

—Não diga isso, minha mãe. Ia fazel-a boa! Não conhece ainda o Jorge?

—Ora vem tu ensinar-me a conhecêl-o, a mim, que o trouxe a estes peitos, que o ensinei a fallar e a andar; vem cá dizer-me o que elle é. Então que achas tu? que elle se zanga commigo? E a mim que me ha de importar muito que elle se zangue. Mais me zango eu e veremos quem vence. Olha agora!

—Mas para que ha de ir fallar-lhe nisso?