—E o fidalgo—completou timidamente Luiza.
—Jorge? Pois adivinhaste.
—Ah!—exclamou Luiza, com natural satisfação.
—O quê?—bradou Thomé, erguendo-se com impeto e córando—adivinhaste? adivinhou? Quem?… Luiza? Então… Bertha… a ti'Anna diz que Bertha… Não disse que Bertha…?
—Ó Thomé, escusa de fazer tanto espanto. Eu disse que Bertha gosta do fidalgo e que elle gosta da rapariga.
—Tão doida está a ti'Anna, como está a minha mulher.
—O seu juizo, Thomé, é que não me parece muito seguro. Olhem o grande milagre que a sua filha goste do rapaz, que não tem por ahi outro que se lhe ponha ao pé, e que o rapaz, emfim, que o rapaz tambem tenha a sua inclinação por a pequena, que não é para engeitar. Olhem a grande admiração!
—Eu bem prégava a este homem, mas coisa que lhe diga, é o mesmo que nada—observou Luiza.
—Mas quem lhe metteu essas patranhas na cabeça?—perguntou o lavrador com um riso contrafeito, já interiormente inquieto, e tentando resistir á convicção que se lhe estava formando no espirito.
—Ora quem havia de ser? Uma pessoa que me parece que tem obrigação de estar bem informada. Foi o mesmo Jorge.