—Jorge?! Jorge disse-lhe…

—Agora mesmo o deixei na Corredoura, onde lhe estive fallando bem bem um quarto de hora talvez.

—Ti'Anna, eu não quero offendêl-a, mas ha coisas tão incriveis! Ora diga-me, não sabe quem me fallou na pretenção do seu filho?

—Sei, sei muito bem que foi Jorge, e vae d'ahi? E sei que Bertha tambem disse que sim. Então que mais quer? Mas sei tambem que o rapaz, quando Clemente lhe fallou n'isso, ia rompendo com elle; sei que depois do casamento ajustado, emmagreceu e anda como desenterrado; sei que a sua pequena disse aquillo, que eu já contei, ao meu Clemente, e que o rapaz teve as suas suspeitas, e que eu fallei claro ao Jorge, que não teve cara para negar. Ora aqui tem.

Thomé da Povoa ficou assombrado com a revelação. Nunca o lavrador dera importancia ás suspeitas da mulher, cujos instinctos tinham visto melhor do que a razão clara do marido.

—Pois se isso é verdade—disse Thomé, medindo a sala a passos largos—é uma grande desgraça!

—Oh! Ahi vem o outro!—respondeu-lhe a Anna do Védor com o seu animo intemerato—Credo! Parece-me um sino a tocar a defuncto. Então que grande desgraça vem a ser essa?

—Nem vossê pensa o que d'ahi póde resultar, ti'Anna. Mas sempre se lembre de que n'essa historia entro eu, o fidalgo velho, o rapaz e a minha pequena. Se nos conhece bem a todos, supponha o que d'ahi póde sahir de bom.

—Quer vossê dizer na sua: «Nós os velhos somos dois caturras e os novos são capazes de morrer de paixão.» Mas se os novos tiverem juizo, não se lhes importa com as caturrices dos velhos, e estes o mais que podem fazer é irem um anno mais cedo para a sepultura, o que é bem feito para não serem teimosos. Olha agora!

—Eu bem o suspeitava—repetia de quando em quando a boa Luiza.