E a Anna do Védor sahiu apressada, e murmurando de instante a instante:

—Olha agora!

XXXIV

Desde o dia em que Bertha fallára no seu casamento ao fidalgo da Casa Mourisca nunca mais correram as horas nos Bacellos para o velho e para a rapariga tão alegres como até ahi.

Nem uma palavra se trocou mais entre elles sobre o assumpto, mas facil era de perceber que elle ainda dominava o pensamento de ambos.

Tanto os sorrisos de Bertha como aquelles com que D. Luiz lhes correspondia empanava-os uma nuvem de tristeza.

O fidalgo a cada momento pensava na separação imminente, na necessidade de dar á afilhada o consentimento promettido, e cada vez menos coragem sentia para fazêl-o.

Bertha recebia como que a projecção da tristeza do velho; demais a sua propria crescia á medida que se aproximava o momento em que tinha de realisar-se o sacrificio do seu coração, sacrificio cuja grandeza de dia para dia mais avultava no seu espirito.

Actuou esta influencia no estado do enfermo, que ia perdendo o alento adquirido sob a benefica vigilancia da rapariga.

Por isso no dia em que se passaram as scenas narradas no ultimo capitulo e nas quaes a intrepida Anna do Védor desempenhou tão importante papel, D. Luiz achava-se em um estado de abatimento pouco animador.