Não sahira esse dia do quarto, como era seu costume quando ia sentar-se com Bertha á sombra das arvores. Queixou-se de fraqueza e de frio e ficou na poltrona ao lado da janella a espreitar por dentro das vidraças para as avenidas da quinta.

Bertha havia por instantes deixado o padrinho para temperar-lhe um remedio; e o doente ficando só, cahira em uma profunda meditação, seguindo machinalmente com a vista os movimentos de uma avesita que saltava nos ramos d'uma arvore distante.

De repente chamou-lhe a attenção o rumor dos passos de alguem, que se aproximava no corredor e que parou á porta do quarto, como se hesitasse ao entrar.

—Quem está ahi?—perguntou o fidalgo, não vendo apparecer ninguem.

A esta pergunta a porta entreabriu-se e a figura da Anna do Védor, offegante pela carreira que trouxera de casa do Thomé até alli, desenhou-se no limiar.

—Sou eu; o fidalgo dá licença?—respondeu a Anna.

D. Luiz teve um negro presentimento assim que viu a figura da mãe de
Clemente, o pretendido noivo de Bertha.

Com mal disfarçado azedume disse-lhe:

—É vossê, Anna? Entre.

Anna entrou com o desembaraço com que entrava em toda a parte.