—Anda cá, Bertha; vem cá, minha filha. Então não vês como eu pago os cuidados que tens tido commigo? Que queres tu? Isto em mim é já loucura!
Ao tom affectuoso e triste d'estas palavras dissipou-se a hesitação de Bertha, que correu a ajoelhar-se junto do velho, pegando-lhe nas mãos enternecida:
—Não diga isso, snr. D. Luiz. Eu bem sei que eram impaciencias de doente.
D. Luiz segurou-lhe a cabeça entre as mãos e, olhando-a fixamente, murmurou:
—Pobre criança! Fiz-te chorar! Nem que te não bastassem os teus soffrimentos. Perdoa-me, minha filha. Tu não tens culpa no que os outros fazem. Não é possivel que tenhas culpa.
E beijava-lhe os olhos, onde de novo queriam apparecer as lagrimas.
—Perdoar-lhe? O que lhe hei de eu perdoar? A affeição que me tem? Só se fôr isso.
—Ahi vem outra vez as lagrimas! Enxuga-as. Não quero fazer-te chorar mais. Não faças caso do que eu digo, Bertha, que sou um tonto. É uma ingratidão de minha parte, uma feia ingratidão.
—O que me faz pena é vêl-o afflicto. Cuidei que estava peior.
—Não; é que essa mulher que d'ahi sahiu disse-me coisas…