—Não esperava isso de ti, Bertha. Tu não és sincera commigo.
—Eu?
—Tu illudes-me como os outros a final, tu conspiras com elles contra a tranquillidade dos meus dias, contra o socego d'este coração atribulado. Deus te perdoe o mal que me fazes, tu, mais do que ninguem, porque te queria devéras.
—Jesus, snr. D. Luiz, meu padrinho, que quer dizer? Em que lhe fiz eu mal? Por amor de Deus, diga, falle-me claro.
—Bertha, é preciso que me digas a verdade, se queres que não suspeite de ti, como suspeito dos outros, como suspeito de todos; é preciso que não dissimules, como elles fazem, para me illudirem.
—Mas que quer que lhe diga, snr. D. Luiz? Prometto dizer-lhe a verdade, nem eu lhe sei mentir.
—Então para que me dizes que Jorge te queria mal?
Bertha sentia-se cada vez mais sobresaltada pelas perguntas do fidalgo, que pareciam dirigir-se ao segredo recatado, que ella conservava no coração.
—Eu disse—respondeu ella—que cheguei a pensar que o snr. Jorge me queria mal, porém…
A confusão que sentia não a deixou continuar.