O fidalgo notou aquella perturbação e abrandou mais a voz, tomou um tom carinhoso e disse pegando-lhe affectuosamente na mão:

—Vamos, Bertha, socega. Acredita que tens em mim um amigo, e abre-me francamente o coração sem receio. Dize-me, é verdade que Jorge te disse alguma vez que te amava? É verdade que entre vós ambos ha alguma affeição, alguma promessa?

A pergunta, ainda que não já de todo inesperada, sobresaltou Bertha, que não atinou com o que respondesse.

—Socega, minha filha—proseguiu o fidalgo, animando-a.—Bem vês que eu não quero reprehender-te. Sómente queria que me dissesses a verdade a este respeito.

—Meu padrinho—disse Bertha perturbada ainda—pois não se lembra do pedido que lhe fiz ainda ha poucos dias?

—Do pedido?… Ah! sim… Fallas do casamento?… Mas se elle já se não faz? Se foi a propria mãe de Clemente que me contou d'esses amores entre ti e meu filho?

—Oh! não póde ser!—exclamou Bertha, consternada.

—Como havia ella de saber?… Como podia ella dizer isso?

—O mesmo Jorge lh'o revelou.

—Jorge!… o snr. Jorge!… É impossivel!