—Mas porque não respondes á minha pergunta? O que ha de verdade em tudo isso?

Bertha conservou-se ainda algum tempo silenciosa e irresoluta. Depois, como se abraçasse um partido decisivo, tornou com maior vivacidade:

—Tem razão, meu padrinho, devo dizer-lhe a verdade. Nem ella tem em que me envergonhar.

—Então é certo?

Bertha com os olhos fitos no chão e a voz mal firme, mas exprimindo resolução, principiou:

—Um dia o snr. Jorge apresentou-se em casa de meu pae, a pedir-lhe, em nome de Clemente, licença para o casamento que sabe….

—Como?! Foi Jorge que pediu esse consentimento? E antes d'isso não tinha elle já dado a conhecer-te….

Bertha não o deixou continuar.

—Escute, snr. D. Luiz, que eu prometto dizer-lhe toda a verdade. Meu pae chamou-me para consultar-me a esse proposito.

—Ah! teu pae consultou-te?! E esperava que tu recusasses, não é verdade?