—Eu nunca pensára em casar-me, nunca pensára até no futuro, por isso aquella proposta sobresaltou-me.
—E respondeste….
—Depois o ter sido feita pelo snr. Jorge mais me perturbava ainda.
—Sim, porque elle havia-te jurado talvez….
—Não havia jurado coisa alguma; quasi nem me fallára detidamente desde que eu voltára á aldeia. Parecia fugir de mim, parecia que a minha presença lhe desagradava, que as minhas palavras o irritavam. Não era possivel illudir-me a esse respeito. Affligia-me vêr a pouca sympathia que eu merecêra, sem saber porquê, a um rapaz que todos diziam tão generoso, tão indulgente e de tanto juizo; e isto era causa para eu muito pensar no que poderia dar motivo áquelle proceder d'elle para commigo. Tinha isto sempre na ideia, observava-o, estudava-o… e foi mau isto, bem sinto que foi mau.
—Porquê?
—Porque quanto mais o observava—continuou Bertha, com ingenua sinceridade—mais de perto lhe conhecia as nobres qualidades, e senti a pouco e pouco em mim uma admiração por elle, uma sympathia, um respeito, um….
—Um amor—concluiu D. Luiz, vendo a hesitação de Bertha.
—Uma loucura—emendou esta—que eu tractei logo de abafar em mim, porque desde o principio a vi tal como ella era.
—És um anjo—disse D. Luiz, afagando-a.