Foi elle quem renovou o dialogo.
—Custa-te muito o sacrificio que fazes, não é verdade?
—Para que hei de dizer que não? Custa-me como quando ao acordar de sonhar um sonho agradavel, me convenço de que foi um sonho tudo. Sabe porém o que me anima? É o pensar que mais me custaria se o sonho se realisasse.
—Porquê?
—Porque teria remorsos de pagar d'essa maneira o affecto que encontrei sempre n'esta casa; porque teria vergonha de que pensassem que, da minha parte, esses affectos eram calculados e interesseiros. Nós tambem temos o nosso orgulho, snr. D. Luiz—acrescentou ella, sorrindo.
—E nobre que elle é—acudiu o fidalgo, cada vez mais fascinado.
N'este momento a porta abriu-se, e frei Januario metteu a cabeça pela abertura.
—Que é?—perguntou D. Luiz, irritado.
—É o Thomé da Povoa … é o pae d'essa menina que a procura.
—A mim?—disse Bertha, levantando-se.