Jorge afastou quasi tremendo as cortinas do leito.
D. Luiz, que jazia com os olhos fechados e n'aquella immobilidade quasi morbida em que desde a partida de Bertha cahira, não deu signal de ter percebido a chegada do filho.
Jorge, assustado com aquella impassibilidade, pegou-lhe na mão que tinha estendida por fóra da roupa, como para procurar n'ella o calor da vida.
Ao contacto da mão do filho, o fidalgo estremeceu e abriu os olhos; vendo Jorge, passou-lhe nos labios um desvanecido sorriso de affecto.
—Ah! és tu, Jorge?—disse elle com a voz ainda fraca—não te tinha visto entrar.
Frei Januario ficou estupefacto, ouvindo fallar o doente, que elle já suppunha em estado de não poder fazêl-o.
—Acha-se melhor?—perguntou Jorge, vergando-se sobre o leito.
O velho só respondeu encolhendo os hombros como exprimindo indifferença pela sua sorte, e depois fitando outra vez os olhos no filho, interrogou-o por sua vez:
—E tu?
Jorge estranhou esta solicitude no pae, tão fóra dos seus habitos, e sentiu-se commovido.