—O Thomé veio buscal-a.

—Com que fim?

—Não sei… Ainda que… por algumas coisas que ouvi… quer-me parecer que fizeram conceber a Thomé certos receios. Emfim eu proprio não quiz profundar os motivos da retirada por temer que não me fosse agradavel ouvil-os.

—E querem vêr que o tio Luiz também soube? É impossivel que tudo isto não lhe tenha feito muito mal! Eu nunca vi! Esta gente toda entregue a si parece que porfia em complicar a situação. Mauricio, vamos vêr teu pae. Eeus queira que ainda seja possivel remediar o mal feito. Vens, Jorge?

Passados momentos entravam todos tres no quarto de D. Luiz, onde penetrava apenas a discreta claridade coada pelas cortinas corridas e pelas janellas meio abertas.

Frei Januario, que dormitava ao lado do leito, com o lenço vermelho em uma mão e o breviario na outra, ergueu-se ao ver a baroneza, e depois de comprimental-a dispunha-se a avisar o fidalgo.

Gabriella susteve-o, e avisinhando-se do leito, correu ella propria os pannos do cortinado e contemplou o rosto do ancião, que dormia profundamente.

Mauricio e Jorge acercaram-se tambem.

A nobre physionomia de D. Luiz, abatida pelo soffrimento physico e moral, e sobre a qual o somno parecia derramar uma serenidade, como de resignação, impressionou-os a todos.

A baroneza ajoelhou ao lado do velho, e pegando-lhe na mão beijou-a com affecto e respeito. Mauricio ajoelhou tambem ao lado de sua esposa.