D. Luiz acordou um tanto sobresaltado. Deu primeiro com a vista em Jorge e depois, desviando-a, reconheceu a sobrinha e o filho mais novo, e raiou-lhe no semblante, ao vêl-os, um clarão de alegria.
—Ó meus filhos!—exclamou elle, solevantando-se no leito e apoiando-se no braço tremulo.
Depois, passando a mão por sobre a cabeça dos noivos, acrescentou:
—Deus vos abençoe, como eu vos abençôo.
E deixou-se cahir extenuado sobre o travesseiro.
Gabriella levantou-se para amparal-o.
—Ai, Gabriella—disse elle, suspirando—finalmente parece que chegou a hora da liberdade.
—Diga que chegou a hora da resurreição. Verá como de hoje em diante tudo vae ser ventura n'esta casa. Ha de trazer-lh'a Jorge e Mauricio e eu, até eu e… e mais alguem. Quem sabe?
D. Luiz voltou os olhos para o filho mais novo.
—Mauricio—disse com a voz cançada e interrompida—és ainda muito rapaz e vaes viver em um mundo perigoso, não desprezes a conselheira que Deus collocou a teu lado.