Expondo o principal fim da sua visita, não encontrou grande opposição em Thomé contra o regresso da filha para os Bacellos. Elle proprio prometteu leval-a.

Efectivamente horas depois, Bertha era de novo conduzida pela baroneza para junto da cabeceira do enfermo, que em todo aquelle tempo continuára a manifestar signaes da mais profunda depressão de forças.

D. Luiz dormitava quando Bertha se lhe aproximou do leito. A rapariga correu cautelosamente o cortinado para contemplar a figura do ancião. Commoveu-a o aspecto de abatimento que crescêra n'elle desde que Bertha o deixára. D. Luiz tinha o somno agitado por sonhos febricitantes, e sonhando, soltava gemidos surdos, palavras mal articuladas, estremecia e suava como sob a influencia de uma afflictiva impressão.

Bertha veio encontral-o em um d'estes estados e curvou-se compadecida para enxugar o suor que lhe orvalhava a fronte.

O doente acordou então e fitou os olhos n'ella.

Immediatamente lhe distendeu as feições contrahidas um sorriso de alegria.

Por algum tempo não fallou, como se estivesse duvidando da realidade do que via e suspeitando-a de ser a continuação de um sonho.

Foi Bertha a primeira que fallou.

—Está melhor?—interrogou ella, sorrindo.

O tom d'aquella voz e a particular inflexão da pergunta, com que já estavam familiarisados os ouvidos do doente, parece que o convenceram de que não dormia.