—Os livros!… e os papeis… Mas para que?
—Porque d'ámanhã em diante tomo conta d'elles.
—Eu não me entendo com criancices. Na verdade o snr. D. Luiz fez-me o que eu nunca esperei d'elle. É bem custoso receber tal paga no fim de tantos annos de serviço! E então que patetices! Attender aos caprichos de uma criança em coisas tão sérias como estas! E sabe que mais, snr. Jorge? Eu não tenho vagar nem paciencia para me pôr agora a ensinar meninos.
Mauricio ia a responder, talvez com aspereza, mas Jorge atalhou-o, dizendo:
—Mas quem lhe falla em ensinar? Quem lhe pede lição ou conselho?
—Então para que me procura ámanhã?
—Para que me dê os livros e mais documentos relativos á gerencia da casa, e me preste os esclarecimentos que eu lhe pedir. Não são perguntas de discipulo…
—Percebo o que quer dizer na sua, são de juiz.
—Não. Quem o suppõe réo? Não, senhor. É apenas uma curta conferencia, como o trocar da senha entre a guarda que se rende.
—Então o snr. Jorge está seriamente resolvido a tomar conta d'isto?