Á entrada de Mauricio, Jorge apenas lhe acenou com a mão, e proseguiu ou fingiu que proseguia na leitura que encetára, até terminar a pagina.

—Boas noites, nigromante—saudou-o Mauricio.—A estas horas, n'esta torre, á luz mortiça d'um candieiro e com um livro aberto diante de ti, representas admiravelmente um astrologo.

Jorge apenas lhe respondeu com um sorriso e continuou a folhear o livro.

Mauricio chegou-se á janella:

—Mas é preciso, de quando em quando, examinar as estrellas tambem. E ellas hoje que estão tão scintillantes! Ah! grande novidade no nosso firmamento! Graças a Deus que, além de nós, ha já mais alguem na aldeia que não dorme a estas horas!

Jorge fechou o livro, e foi ter com o irmão á janella.

—Que queres dizer?—perguntou aproximando-se.

—Que descobri um planeta novo! mais uma luz na aldeia!

—Uma luz?!

—Sim, e é em casa de Thomé.