—Que é, Luiza?
—É a filha do snr. Manoel Quentino.
—Ah! chegou finalmente Cecilia? Que entre, Luiza, que entre. Nem sei para que a fez esperar—acudiu Jenny com vivacidade.
Era Cecilia uma das suas mais affeiçoadas amigas.
XI
CECILIA
Passados momentos, entrava no quarto, ligeira como uma andorinha, risonha como uma creança, a filha de Manoel Quentino. Era a unica familia que o velho guarda-livros tinha no mundo.
Jenny estendeu-lhe affectuosamente a mão … e «beijaram-se», pensará a leitora. Pois não beijaram, não, minha senhora; as inglezas poupam muito mais esse thesouro dos beijos, do que as mulheres dos outros paizes; um amigavel aperto de mãos, um sorriso, uma phrase affectuosa… e mais nada. Será para os fazer mais apreciados, quando concedidos?
Cecilia era um modelo da belleza portugueza, e portuense talvez, nas suas mais felizes realisações.
É costume entre nós, quando se quer exaltar, no conceito dos leitores, a belleza de uma mulher, classifical-a entre as hespanholas, entre as italianas, entre as allemãs, e entre as inglezas, mas nunca entre as nossas compatriotas, que soffrem, ha muitos annos, com sublime resignação de martyres, esta velha e flagrante injustiça.