—Que está a fazer?!—disse Jenny, rindo.

—Deixe-me; sabe como eu lhe quero, sabe a confiança que tenho em si, Jenny, pois não sabe? Mas é que … ha certas cousas que sempre custam a dizer.

Jenny sorriu com expressão particular; previa uma confidencia amorosa no embaraço de Cecilia.

Cecilia comprehendeu a significação d'aquelle sorriso, porque se apressou a dizer:

—Não, não é o que julga, Jenny. Não teria a menor hesitação em lh'o dizer, se fosse isso. Póde crêl-o.

Apesar da segurança, com que Cecilia o affirmava, duvido de que, tão sem custo, se resolvesse a fazer uma confidencia, que, sendo a primeira d'esse genero, faz titubear os mais arrojados. Mas acreditemol-a sob palavra, que não temos outro remedio.

—Seja o que for,—respondeu Jenny, procurando inspirar-lhe confiança—não deve ter escrupulos em m'o revelar. Escrupulos porquê? Não somos raparigas ambas? da mesma idade quasi?

—Mas a Jenny é tão differente de todas nós! Tem tanto juizo, que não póde deixar de estranhar certas cousas, que nós, as que temos a cabeça leve, fazemos sem pensar, e de que mais tarde nos arrependemos.

—Está a ser injusta ao mesmo tempo commigo e comsigo, Cecilia. Nem essa cabeça é leve, nem eu da sisudez que me faz.

—Pois bem,—continuou a filha de Manoel Quentino—estou resolvida a contar-lhe tudo, mas ha de prometter-me dizer no fim, com a maior franqueza, o que pensa do que eu lhe contar, sim? Olhe que ficamos de mal se me não disser a verdade, inda que me seja desfavoravel.