—Pois a carne?!
—Se deixam ir todo o gado para o estrangeiro! Devia fazer-se uma lei, que prohibisse esse desafôro.
Alvitre economico, que ainda não perdeu de moda.
—Isto está o diacho!
Este apophthegma fechava quasi sempre e com chave de ouro o dialogo.
Calaram-se os dois.
Cecilia, que esperava por este silencio e já por habito sabia o que significava, ia então buscar as folhas do dia e preparava-se para ler; os dois velhos dispunham-se a escutar.
Qualquer d'elles experimentava um prazer indefinivel em ouvir ler
Cecilia.
Lia com tanta intelligencia e graça, que o snr. José Fortunato confessava, que muitas vezes, ouvindo-a, entendia cousas, em que debalde tentára penetrar, a grandes esforços de leitura propria.
Era uma scena curiosa aquella.
A compaixão paternal só perdoava a Cecilia a secção dos annuncios; o mais tudo lhes lia a condescendente rapariga; o artigo de fundo, com resignação; com intrepidez, as noticias estrangeiras; com curiosidade, as locaes; o folhetim, com mais vontade; e tudo sem o menor constrangimento, que podesse aguar aquelle prazer dos seus ouvintes.