Quarta parte:—Fortunato diz que está a expirar o carnaval. Manoel Quentino replica que lhe não deixa saudades. Fortunato faz igual declaração. Manoel Quentino vê com maus olhos a chegada da quaresma, por causa das confissões. Discute-se quaes os confessores mais passa-culpas. Manoel Quentino lembra-se de perguntar quem inventaria isto de confissões. Fortunato fal-as remontar ao tempo dos romanos, supremo grau de vetustez, e d'elle conhecido.

D'esta vez os bocejos ficaram em meio, graças á entrada de Cecilia e de
Antonia com o taboleiro do chá.

Era notavel a transformação, operada em Fortunato. Alegrava-o o aspecto das tostas e do leite. Então que querem? Não era que o homem precisasse d'aquillo; mas emfim todo aquelle apparato bulia-lhe com a sensibilidade gustativa e, por os mysteriosos laços do physico e do moral, lá se lhe ia entender com a alma por fim.

Esta satisfação interior desentranhava-se em amabilidades para com a
Hebe domestica d'aquella ambrozia—a snr.ª Antonia.

—Ai, snr.ª Antonia—dizia elle—assim é que é; cada vez mais nova.

—Não me diga isso, snr. Fortunato; logo eu, que estou acabada.

—Acabada! Ainda mal principiou…

Eu não sei se era intenção do snr. Fortunato terminar aqui a oração, cujo sentido fica um tanto obscuro. E não o sei, porque n'este ponto Cecilia interrompeu-o, dizendo-lhe:

—Faz favor de ver se está bom do assucar, snr. Fortunato.

—Excellente, menina; mas faz-me favor de mais uma colherinha. Assim, muito bem; mais uma agora e mais nada… assim… agora mais não. Está muito bem.