—Mas onde aconteceu isso tudo, homem?—perguntava Manoel Quentino.

—Em Paris. Pois não…

—O pae não vê que o snr. Fortunato está a fallar do romance?

—Ah! isso sim.

—Pois que cuidava?

—Eu sei lá o que cuidava. Eu cá de romances não entendo. E agora por isso lembra-me que aquelle endiabrado rapaz, o Carlitos, teimava que me havia de emprestar lá uns romances… Eh! eh! Tem diabo o rapaz.

—Tambem está um estroina!—disse o snr. Fortunato, que era dos que tinham Carlos na conta de homem perigoso.

—Mas deixe lá, que é uma boa alma!—respondeu Manoel Quentino—Ninguem lhe póde querer mal. É capaz de tirar a camisa do corpo para soccorrer um pobre. Ahi está que uma vez viram-o, era ainda dia claro, entrar na cidade, trazendo o cavallo á arreata e na sella vinha uma pobre velha, que elle encontrou na estrada com um pé desmanchado; outro que fosse… Ó Cecilia, então? onde tens tu o sentido, que nem reparas que alli o snr. Fortunato tem ha tanto tempo a chicara vazia?

—Ai, perdão—disse Cecilia, córando pela distracção em que caíra.

Não sei bem por que isto a fez córar assim; mas o facto deu-se.