Mr. Richard, emquanto a filha se preparava, viera á frente do camarote passar um exame rapido á sala.

—E o Carlinhos?—perguntou Manoel Quentino a Jenny emquanto se encarregava, com soffrivel galanteria, de acommodar a capa, que ella acabava de tirar.

—É provavel que esteja cá—respondeu Jenny.

—Aonde? Na plateia?

—De certo.

—Tendo camarote! É vontade de gastar dinheiro!—pensou para si o economico Manoel Quentino.

Depois de tomarem todas as respectivas posições, Manoel Quentino, ficando junto da cadeira de Jenny, entendeu que não devia estar calado.

—Sempre me lembra—disse elle, portanto—quando venho ao theatro, de ver representar a celebre Josepha Thereza Soares! Aquillo é que era mulherzinha! Que tambem a Grata Nicolini… não sei se lhe diga… Se quer que lhe falle verdade, menina, agradavam-me mais as peças, que se representavam d'antes, do que as de hoje. Só os vestuarios e as vistas! Agora são salas e casacas, casacas e salas e acabou-se. É o pae que quer que a filha case com um velho rico; é a filha que quer casar com um rapaz pobre, que é poeta; é o rapaz a descompôr o velho; a rapariga a morrer… e passe por lá muito bem. Não lhe acho graça nenhuma. Eu queria que vissem: D. José II, visitando os carceresCamilla ou os subterraneosO Barba rôxaHa dezeseis annos ou os incendiariosOs sete infantes de LaraA Ignez de Castro…

E Manoel Quentino dispunha-se a continuar esta revista theatral, quando Jenny o interrompeu, perdendo assim a melhor occasião de se informar, entre outras cousas, dos merecimentos da celebre Josepha Thereza, de quem inda agora ouvimos fallar com saudades os frequentadores reformados, cujos legitimos successores são os dilletanti de hoje.

—Carlos tem ido ao escriptorio?—perguntou Jenny, a meia voz.