Assim fez n'esta noite.

Logo que as viu patentes, comprou o libretto da opera; porque nunca pôde tambem resignar-se a ouvir cantar, sem entender o que se cantava; subiu para o camarote e, á escassa luz que havia ainda na sala, pôz-se a ler.

Depois assistiu ao accender das serpentinas, á afinação dos instrumentos da orchestra, ao encher gradual da plateia, dos camarotes e das varandas, o que para elle constituia uma parte da divisão e não das menos curiosas. Aguava porém este inoffensivo prazer o cuidado que lhe estava dando a demora da familia Whitestone; temia já que ella não chegasse ao principio da opera. Isto não o deixava socegar.

Emfim ouviu abrir-se, atraz de si, a porta do camarote; voltou-se.

Eram Mr. Richard e Jenny, que chegavam.

Mr. Richard saudou, com familiaridade, o guarda-livros; Jenny apertou-lhe a mão com affecto.

—Não o esperava agora aqui!—disse Jenny, tirando a capa e reparando as leves desordens da sua toilette.

—O snr. Whitestone fez-me o favor de me dizer que viesse.

—E Cecilia?

—Cecilia!—disse Manoel Quentino, encolhendo os hombros—eu já lhe não digo nada. Para quê? Com'assim, não se resolve nunca a vir.