—E eu sei lá? Não vem, porque não quer. Já d'antes era uma santa historia para a resolver a aproveitar-se de qualquer convite, que a menina tinha a bondade de lhe fazer. É lá de um genio particular aquella pequena; e desde creança que assim a conheço! Que se lhe ha de fazer? Mas agora sobre tudo… A rapariga tem o quer que é a affligil-a. Isso é que tem. Ella bem faz por disfarçar; mas…
Manoel Quentino tomou n'este ponto ares de mysterio e proseguiu em tom mais baixo:
—Eu não sei, mas… acho-a outra ha dias para cá. Não lhe tenho querido dizer nada, porque… porque sei como ella é, e tenho mêdo de mortifical-a ainda mais, porém…
—Mas então—perguntou Jenny, sinceramente attenta ao que Manoel
Quentino lhe dizia—o que é que lhe faz julgar?…
—Acho triste a rapariga. Olhos de pae não se enganam com essa pressa. Os outros nada vêem, mas os meus… A Cecilia não era assim; quem a viu d'antes! Ella ri e graceja ainda, é verdade; mas ha alli certo modo, que eu lhe estranho. A menina, que bem a conhece, ha de ter visto…
—Não; não tenho notado mudança n'ella.
—Não que tambem… eu lhe digo… Ora deixe-me ver… Ella não voltou a sua casa desde… desde terça-feira, não? É isso mesmo. De então para cá é que eu mais tenho notado…
Jenny escutava com crescente curiosidade o que Manoel Quentino dizia.
—Ahi está que hoje…—continuou elle—depois de eu chegar a casa… mas peço-lhe, por amor de Deus, que lhe não vá dizer estas cousas; ella põe-se por lá depois a scismar…
—Fique descansado—disse Jenny, procurando não perder uma só das palavras que ouvia.