—Eu?!—perguntou Cecilia, a tremer.
—Sim, minha senhora—continuou Carlos—se v. exc.ª me conhecesse, se tivesse aprendido a fazer-me justiça, devia prever, ao ver-me entrar hoje aqui, em sua casa, que só um motivo me podia trazer.
—E era?—murmurou Cecilia, quasi receiando-se da resposta.
—Pedir-lhe perdão, minha senhora.
—Perdão!…
Cecilia sentiu o atordoamento precursor da vertigem, ao ouvir aquellas palavras.
—Sei tudo, minha senhora—proseguiu Carlos—e acredite que tenho sinceros remorsos de não haver adivinhado logo; nunca senti assim o effeito das minhas leviandades.
—Mas… sabe… o quê, senhor?—balbuciou Cecilia, como se tentasse ainda duvidar do que era já certeza para ella.
—Não me quer poupar ao desgosto de recordar uma scena, em que eu fui tão culpado?
—Pois Jenny disse-lhe?—exclamou, quasi involuntariamente, Cecilia, como fallando comsigo mesma.