E os olhos brilharam-lhe de lagrimas, prestes a desprenderem-se-lhe pelas faces.

Carlos atalhou-a:

—Não, minha senhora; Jenny não foi indiscreta. O acaso revelou-me tudo o que eu, desde aquella noite, tanto desejava saber. Minha irmã apenas me fez comprehender bem toda a pouca delicadeza do meu procedimento e a necessidade de uma justificação; é essa que eu venho aqui offerecer-lhe. V. exc.ª tem direito a ella, como o teria Jenny e como eu o exigiria de quem tratasse minha irmã… tão grosseiramente, como eu tratei v. exc.ª

—Mas, snr. Carlos, toda a culpa tive-a eu…

—Não diga isso! Insistir em não me reconhecer culpado é apenas uma maneira delicada de recusar-me o perdão que, de proposito, vim aqui implorar-lhe.

Cecilia não respondeu; Carlos proseguiu:

—V. exc.ª é a melhor amiga de Jenny; ella mesma, hontem, m'o disse. Peço-lhe que me não julgue indigno da sua amizade tambem, minha senhora. Eu supponho-me igualmente o melhor amigo de minha irmã. Duas pessoas, que teem assim a estima de um anjo, como aquelle, devem estimar-se uma á outra; não lhe parece?

—Mas eu, snr. Carlos, nunca tive motivos para… não tenho direito para deixar de… estimal-o.

—Perdôa-me portanto?

Cecilia guardou por algum tempo silencio, depois, fazendo esforço sobre si mesma, disse com vivacidade: