—Snr. Carlos, não fallemos mais n'isto, peço-lhe… Esqueçamos tudo, como se tivesse sido um sonho… mau.
E terminando assim o pensamento, baixou os olhos, como desfallecida pela violencia da lucta, que sustentára.
Carlos não replicou immediatamente. Houve um silencio de alguns segundos, incommodo para ambos; emfim, olhando para Cecilia:
—Esquecer!—disse Carlos, de uma maneira, que parecia mostrar não lhe ser demasiado grata a proposta, e depois acrescentou:—Pois sim… Esqueçamos, visto que assim o quer. Mas eu tenho a esquecer, arrependendo-me; já o fiz; v. exc.ª, perdoando; por que recusa fazel-o? Perdôa?
Cecilia ia de novo negar-se a admittir-lhe a culpa, mas, erguendo os olhos, viu Carlos que lhe estendia a mão e, sem bem attentar o que fazia, estendeu também a sua, murmurando:
—Perdôo.
Quando, reflectindo, a quiz retirar, e juntamente a palavra, já não era tempo.
Logo que ouviu de Cecilia o perdão, que viera de proposito solicitar alli, Carlos levantou-se.
—Obrigado, minha senhora—disse elle.—Cumpri o meu dever; agora parto satisfeito.
A pobre rapariga não podia responder mais nada; se ainda lhe estava parecendo um sonho tudo aquillo!