Sua amiga,

Cecilia».

—Ah! tambem ella!—murmurou Jenny, ao terminar a leitura, e ficou mais pensativa do que antes, e uma pequena ruga desenhou-se-lhe na fronte.

O desalento, que parecia descobrir-se através das expressões d'aquella pequena carta, que em vão Cecilia tentára tornar jovial, justificava a ligeira nuvem que viera assombrar a fronte, habitualmente serena, da bondosa Jenny; habituada como estava ás alegrias sem motivo, á despreoccupação da sua amiga, tantas vezes reveladas em cartas e em conversas anteriores, estranhava com razão estes indicios de tristeza.

Além d'isso, o que na vespera ouvira a Manoel Quentino sobre as mudanças subitas da filha, não lhe tinha ainda esquecido.

Era no que pensava, quando Carlos a procurou no quarto; e foi essa a causa principal da apprehensão, exagerada talvez, com que soube da visita feita pelo irmão a Cecilia, e da anticipacão com que previa o futuro d'esta, tão estreitamente ligado ao procedimento de Carlos.

O estado de Carlos tambem não satisfazia. A segurança que, diante d'elle, affectára, ella propria a não sentia. Inquietava-a o acontecido, sem saber bem porquê. A seu pezar, já nenhum outro pensamento a distrahia d'aquelle.

Para tranquillisar-se, tratava de convencer-se de que eram infundados os receios. Recordava todas as passageiras inclinações que conhecera no irmão e que tão depressa, e sem consequencias más para ninguem, vira desvanecer; esforçava-se em explicar de mil maneiras a inquietação de Cecilia com exclusão d'aquella, que, não obstante, uma voz interior teimava em repetir-lhe.

De pensamento em pensamento, foi levada áquellas disposições de espirito, nas quaes se aprazia em contemplar as feições amadas da mãe, a sua conselheira de além tumulo.

E assim, a piedosa filha, com a fronte pendida sobre aquelle retrato, caíu em um meditar profundo, que por muito tempo se prolongou.