—Que não vem! Que não vem! Você está douda, mulher? Pois não ha de vir?—exclamou, com dobrada impaciencia e quasi com raiva, Cecilia, debruçando-se mais na janella.

—A menina não faz nada em o esperar assim. Lá por estar ahi não é que elle vem mais depressa—ponderou tolamente a snr.ª Antonia.

—Não lhe importe; deixe-me—disse-lhe sêccamente Cecilia.

—Uma cousa assim!—proseguiu a criada—Não que quando a gente mal se precata! Sáe uma pessoa muito socegada de sua casa e só Deus sabe para quê! Para onde iria tambem aquella creaturinha do Senhor? Quem póde lá dizer o que lhe succedeu? Sume-te! Eu lembro-me de que um dia meu pae…

—Vá buscar luz, vá—ordenou Cecilia, para escapar ao caso, que Antonia apparelhava, com o piedoso intento de tirar d'elle talvez uma inducção pouco de tranquillisar.

Antonia saíu.

Cecilia, de assustada que estava, já não sabia o que fizesse.

Qualquer vulto, que assomava ao principio da rua, lhe parecia o pae; seguia-o com anciosa curiosidade, cêdo transformava-se em desalento esta curiosidade, porque o via passar indifferente para além da porta da casa.

Andavam já bem perto dos olhos as lagrimas em Cecilia, quando Anlonia voltou com a luz.

—Então, ainda nada?—perguntou a criada.