—Mas, se tivesse succedido alguma cousa, tinha já mandado dizer.
—Conforme, menina… Ás vezes acontecem os males em sitios, onde ninguem conhece uma pessoa, e se se não póde fallar… Ahi está que…
—Havia logo de succeder tudo mal. Nem que o pae fosse para algum sertão de selvagens. Você tem cousas!
—Pois sim, mas o que é certo é que se a demora fosse natural, elle é que já tinha mandado aviso. Pois então não havia de saber a canceira e susto que causava á menina?
Cecilia afastou-se, impaciente, d'esta Cassandra de cozinha, e voltou á janella.
Estavam já accesos os lampeões da rua. As sombras da noite parecia estenderem-se ao coração de Cecilia.
—A menina quer que traga luz?—perguntou a criada, entrando na sala.
Esta pergunta, obrigando-a a notar o adiantado da hora, soou funebremente aos ouvidos de Cecilia.
—Não—disse ella, com voz alterada.—Luz, tão cêdo!
—Cêdo?! Onde vão as sete, menina! Está de ver que não vem.