—Não sei bem o que tem mão em mim, que não vou eu mesma!—exclamou Cecilia ao voltar da janella—E se isto continúa assim, não respondo por o que farei. Oh! Não ser eu rapaz!

José Fortunato não comprehendeu qual era o seu dever n'esta occasião.
Foi defeito de percepção e não de vontade.

A intelligencia era-lhe ronceira e as boas lembranças acudiam-lhe, mas tarde; quando já não era tempo de realisal-as. Foi por isso que só teve a dizer:

—Pois olhem o milagre! Se a menina fosse rapaz!… Mas desengane-se, snr.ª D. Cecilia, se tiver succedido alguma desgraça ao pae, mais minuto, menos minuto, ella ha de saber-se.

—Agradecida, pela consolação!—não pôde deixar de dizer Cecilia, com manifesto mau humor.

—De uma vez tinha eu ido a um magusto, ahi para os lados da Cruz da
Regateira, e ao voltar…

Lá parecia ao snr. José Fortunato aquella occasião apropriadissima para contar um caso.

Antonia dispunha-se para ouvil-o.

Cecilia fez um movimento de impaciencia e voltou para a janella.

No momento, em que chegou alli, avizinhava-se vindo da extremidade da rua, opposta aquella d'onde ella esperava o pae, um homem a cavallo.