Entre muita cousa, que se disse na sala, eis o que elle ouviu, sem escutar; a qualquer d'estes assumptos não costumava Carlos, nas ordinarias disposições de espirito, recusar attenções, nem esquivar a concorrencia propria.
O jornalista, que ficava ao lado d'elle, interpellou-o pela preoccupação em que o viu.
Ora uma observação qualquer da parte d'este jornalista tendia fatalmente a degenerar em longa revista litteraria, que era difficil interromper.
—Que tem você, homem? O tal bilhete produziu um effeito quasi apopletico. Coragem! É negocio de coração? Alguma loura e nevada miss? hein? Oh! as inglezas! A desassombrada candura do seu suavissimo to flirting!—d'aquelle flartar, como, com tanta razão, traduz Garrett, á falta de melhor vocabulo.
E elle ahi principiava:
—Você já leu Garrett, Carlos? Que me diz d'aquellas Viagens, hein?
Oh! é inquestionavelmente o melhor dos seus livros. Prefiro-as ás de
Xavier de Maistre. Que eu não participo da admiração geral por Xavier de
Maistre; é preciso que saiba.
Pausa, durante a qual saboreou um gole de Xerez. Depois de alguma asserção mais arrojada, a pausa era de rigor.
Carlos, já se sabe, não redarguiu. N'este intervallo, pôde ouvir o conviva proximo, que dizia:
—Eu agora o que desejava era ter, pelo menos, trezentos contos de réis; ia d'aqui a Paris; depois…
O jornalista proseguiu: