Carlos hesitou. Manoel Quentino saboreou as doçuras de uma victoria.

—Ora ahi está,!—exclamou elle—Ahi está do que servem as theorias! É isto sempre… Fallam que nem um bacharel… e vae-se a trabalhar e… passe por la muito bem! não atam nem desatam!… Então? Veja se se lembra de algum methodo mais simples de sair do aperto… Qual!… Aqui é que eu os quero ver… No fogo é que se conhecem os soldados… Isto de queimar polvora em fogos presos não presta para nada… Ora escreva, escreva lá, faça o que eu lhe disser e deixe-se de theorias. Não tenha vergonha de aprender. Todos aprendem até á morte.

E principiou a indicar-lhe a maneira de riscar o papel, as inscripções que tinha a fazer, as verbas que devia registrar, e isto tudo sem lhe deixar passar por alto a minima particularidade.

Carlos obedecia-lhe com tal docilidade de discípulo, que fazia rir
Cecilia.

—Vá; escreva ahi, no alto da folha—disse Manoel Quentino—Factura de… agora um genero qualquer que queira carregar.

—De paciencia então, que é genero de que o Manoel Quentino bem precisa agora para aturar a molestia.

—Então! está a brincar ou que faz? paciencia preciso, mas é para o aturar a si.

—Paciencia confiada ao cuidado de meu pae!—dizia Cecilia—Valha-nos
Deus! que não é homem que tenha cautela com a mercadoria.

—E adeus! Estão as duas creanças a brincar. E eu que as ature!

Se Manoel Quentino tivesse mais algum conhecimento dos pequenos mysterios do coração, não fallaria assim collectivamente de Carlos e Cecilia, isto de os confundir debaixo da denominação generica de creanças era imprudente, no estado actual dos sentimentos de ambos.