—Ah! E… póde saber-se a quem?…

—Comprei-o a um rapaz, que eu conheço de vista, mas cujo nome ignoro…
Supponho que é tambem inglez… Vinha em carro com uma senhora…

Mr. Richard abriu muito os olhos, fitando o ourives e repetiu:

—Com uma senhora?…

—Sim, uma senhora ainda nova, vestida de preto, que ficou á espera d'elle. O rapaz entrou aqui, disse que estava para ir para fóra da terra, e propôz-me a compra do relogio e da corrente… Entramos em ajuste…

—Bem, bem; pouco me importa isso—disse Mr. Richard, com ligeiras e convulsivas contracções de labios, que eram n'elle indicio de cólera reprimida.—Vamos a saber: Por quanto m'o vende agora?

O ourives fez valer os seus direitos a algum modico lucro, direitos que Mr. Richard não lhe contestou, vindo a final a comprar, pela segunda vez, o relogio e a corrente, com que havia já presenteado o filho.

Porque não havia para elle duvida, e escusa de a haver para o leitor, de que eram exactamente aquelles mesmos os objectos que tinha agora presentes.

Ao sair da loja, Mr. Richard ia com a physionomia outra vez serena, mas lá por dentro, quem o podesse perscrutar, encontraria um grau de irritação, a que raras vezes lhe subia o genio fleugmatico.

O criado, que estava á porta quando Mr. Richard chegou a casa, era o mesmo que recebera pela manhã a visita, que tanto indignára a snr.ª Antonia.