Ao voltar a casa, encontrára na rua o snr. José Fortunato, e a elle, como fiel alliada, communicára logo alli o peculio de descobertas, com que enriquecera o thesouro dos seus já numerosos conhecimentos.

José Fortunato horrorisou-se com a serie de estupendas noticias, que ouviu de tão auctorisada bôca.

—Não ha que fiar nos homens de hoje!—foi a sentença que elle lavrou, depois de ponderar os famosos artigos d'aquelle libello diffamatorio.

—A mim não me enganou o melro—fez-lhe notar a snr.ª Antonia.

—Pois olhe que a mim…

—Agora o que é preciso é abrir os olhos fechados, que ha lá por casa.

—Abrir?!… Melhor seria fechar alguns, que já se abriram de mais para elle… Não sei se me entende?

—Entendo, entendo. Não ha de ter duvida. Socegue.

E a snrª Antonia, serenando assim as apprehensões do seu protegido, entrou para casa. José Fortunato ia pensando:

—Se eu avisasse o pae, mas de maneira que não soubesse que era eu…