Carlos ficou por muito tempo immovel no logar em que Cecilia o havia deixado, e sem saber como explicasse tão rigorosa severidade.
Não tinham decorrido muitos minutos, assomou á mesma janella um vulto que, curvando-se para a rua, disse em tom de zombaria, para Carlos:
—Muito boa noite. Com licença.
E fechou as portas da janella.
Era a snr.ª Antonia, que tinha espiado de longe Cecilia, sem que conseguisse ouvir o dialogo d'ella com Carlos.
Logo que a sua jovem ama se retirou, correu a observar quem estava na rua, viu e reconheceu Carlos ainda junto do muro.
Carlos, achando-se surprendido, estremeceu e partiu d'alli inquieto.
—Saberia ella que a ouviam e por isso fallaria assim? Ou espial-a-hão sem que o desconfie? Alguma cousa deve ter-se passado, desfavoravel para mim, para ser assim tratado. A minha falta só não explica…
E chegou a casa, pensando n'isto tudo.