Sua amiga

Jenny_.»

O dia seguinte era de facto o do anniversario de Jenny.

Cecilia recebeu a carta e hesitou sobre o que lhe convinha fazer. Tinha receio de ir, temia encontrar-se com Carlos; tinha remorsos de recusar, havia tanto que evitava a companhia d'aquella que sempre lhe dera provas de tanta estima! Além de que, terminára com a doença do pae o pretexto com que ella justificava a ausencia. Era demais um dia santo o dos annos de Jenny, e, como tal, mais livre para Cecilia. Em toda a noite não resolveu comtudo o que fizesse, nem fallou a alguem do convite recebido.

Começou o dia seguinte.

Carlos acordára com a resolução formada de abraçar algum partido decisivo. Era-lhe insoffrivel a incerteza, em que estava vivendo.

Com a cabeça apoiada entre as mãos, todo recolhido ao mundo interior e cortadas as relações com o externo, procurou assim descobrir o melhor caminho, por onde saísse d'aquella situação, insupportavel para o genio d'elle.

Não sei se deva aconselhar o meio como efficaz. Talvez seja mais prudente pensar com os olhos abertos para o mundo que nos rodeia, visto que n'elle vivemos e actuamos, e que, a não o incluirmos como elemento nos nossos calculos, corremos o risco de adoptar resoluções, que mais tarde nos valham choques incessantes e dolorosos conflictos.

O pensar com os olhos fechados é só bom quando se trata de cousas puramente metaphysicas; mas procurar assim regras de procedimento na vida, é imprudente.

O resultado que produziu em Carlos este systema de pensar, foi a seguinte carta, que elle escreveu com vivacidade quasi febril: