—Como quizeres, filha… Ainda que hoje é dia santo e eu…
Manoel Quentino ia exprimir a pena que lhe causava o prescindir n'aquelle dia da companhia da filha, mas calou-se, receiando com isso constrangel-a. Cecilia comprehendeu-o porém.
—Eu sei, pae, eu sei que não gosta de se ver só n'estes dias, que passa em casa—e bem poucos são! Mas olhe, ha tambem certas companhias, que mais nos entristecem do que ainda a mesma solidão; e a minha hoje não podia alegral-o muito.
—Que dizes, Cecília? Que lembrança!
—Acredite-me.
—E por quê?
—Porque me sinto triste, e não poderia, por mais que fizesse, constranger-me.
Manoel Quentino commoveu-se a ponto de lhe apontarem lagrimas aos olhos.
—Eu já tinha notado essa tristeza, Cecilia, já. Não m'a descobres tu, que ha muito ella me dá cuidado—Mas, já que me fallaste n'ella, dize-me a razão: o que te afflige, o que é que tens? Não te sentes boa?
—Não me pergunte nada, meu pae; que não lhe posso… que não lhe sei responder.