—Vá buscar-m'a—exclamou Manoel Quentino, elevando mais a voz.
Em poucos momentos foi executada a ordem.
Manoel Quentino passeiava, levava as mãos á cabeça, fechava os olhos, aspirava com ancia, parecia louco.
Antonia trouxe a carta. Manoel Quentino lançou os olhos para o sobrescripto e estremeceu.
Reconhecera o talhe da lettra de Carlos!
Deixou-se cair com desalento na cadeira que tinha proxima.
—Ó meus Deus! estarei destinado a este infortunio?…—murmurava elle, com a cabeça escondida entre as mãos, através das quaes passavam as lagrimas.
Depois, com movimento de raiva, tentou abrir a carta que conservava ainda nas mãos; mas suspendeu-se por um melindroso sentimento de delicadeza, que não conseguiu vencer.
—Não, não a abrirei! Não ha infamia que desculpe uma villeza.
Antonia, que promettera farto alimento á curiosidade, suspirou de despeito.