—Que damnada tenção tem você hoje de me inquietar, mulher? Que maldita suspeita é essa, lingua de vibora? Não vê que póde matar-me com essas palavras envenenadas, não vê, demonio?

—Deus me perdoe, snr, Manoel Quentino, que não faço isto por mal. Mas, sabe o amor que tenho á familia, e não queria que alguma desgraça acontecesse…

—Cale-se, mulher, cale-se! Eu sei que são boas as suas intenções; mas
Cecilia disse-me que Jenny fora quem a convidara.

—Pois eu não digo que não. Eu sei até que a menina hontem recebeu uma carta de mando da snr.ª Jenny; ella não me disse o que ella continha, nem eu lh'o perguntei. Mas, esta manhã, logo depois que saíram, veio ahi um criado de lá com outra carta; não era o mesmo, mas sim um que eu vi, no dia do passeio com a comediante, e que, pelos modos, é criado só do rapaz.—De quem vem essa carta? perguntei-lhe eu.—«Vem, disse o brejeiro, com modos avelhacados e sorrindo, vem de miss Jenny». Mas, eu não sei… a carta é tão differente das que…

—E essa carta?—perguntou Manoel Quentino, fóra de si.

—Essa carta está lá dentro.

—E Cecilia?…

—Esta não a leu ella, porque veio depois que saíram.

—Vá buscar-m'a.

—Mas talvez seja da filha, talvez; eu…