—Ora essa, snr. Manoel Quentino! Assim Deus salve a minha alma! Isto era lá cousa que eu dissesse, se não fosse verdade?!

Manoel Quentino levantou-se e pôz-se a passeiar no quarto, com agitação.

—Pois será possivel, meu Deus, que assim possa haver maldade no coração de um homem? Carlos! Carlos, a quem eu estimava como filho, a quem eu sempre defendia, quando o accusavam de estouvado! Carlos, que se dizia meu amigo! que parecia incapaz de uma acção infame!

—Por esse mesmo tempo andava elle de carro com as comediantes…

—Se tudo isto é verdade… então… Oh! mas Cecilia tambem… Cecilia!
Ella dissimular, fingir… enganar-me! Ella!…

E o pobre velho quasi se suffocava a chorar.

—Custa-me estar a affligil-o assim, snr. Manoel Quentino; as então? que se lhe ha de fazer?—continuava Antonia—Quando ha pouco me disse que a menina tinha ido jantar a casa do inglez… veja lá, sabendo eu o que sabia… veja como devia ficar.

—Jenny foi quem a chamou; junto d'aquella nada receio por Cecilia… De todos posso vir a duvidar—quem sabe o que terei ainda de aprender?—mas de Jenny, d'essa!…

—E seria de facto a snr.ª Jenny quem mandou chamar a menina?

Manoel Quentino fitou a criada com olhar fulgurante de indignação.