Esta galanteria, de um requinte britannico, mereceu a desapprovação de
Mr. Morlays.
—É inexacta comparação—tornou sisudamente—essa dos astros á vida do homem. A quéda e o extinguir dos astros são ficticios. Occultam-se-nos, mas não se apagam. Melhor se compararia a vida a um foguete.
—Oh! A um foguete? Singular comparação!—exclamou Mr. Brains, rindo.
—Vamos lá a ver, vamos lá a ver—disse Mr. Richard Whitestone, sentando-se.
Mr. Morlays, medindo a sala a passos largos, desenvolveu a imagem, assim:
—O homem, como o foguete, principia a animar-se por uma faisca que se ateia; eleva-se então com chamma e estrondo, pára um momento… e depois… estoura, e cáe veloz, silencioso, extincto, deixando na terra sómente o esqueleto que o fogo já não anima.
Mr. Richard sorriu á original imagem do seu amigo e conviva.
Mr. Morlays tem razão.
—E quando daremos nós o estouro da metaphora?—perguntou o risonho Mr. Brains, mostrando uma fileira de bem ordenados dentes, e depois acrescentou:—Concordo com Mr. Morlays; mas peço-lhe que note que se ha foguetes que descem como elle diz, silenciosos e extinctos, a arte pyrotechnica tem inventado tambem alguns, cuja quéda é alumiada por lagrimas de côres, que os acompanham até á terra. Eu por mim imitarei ao caír o foguete de lagrimas… Eh! eh! eh!
A conversa continuou n'este teor e fórma, até á chegada de Carlos.