Mr. Whitestone, desde que o filho entrára, occupava-se em uma singular tarefa. Foi sentar-se ao piano e principiou a correr os dedos pelas teclas com presteza e com uma desharmonia só supportavel ao seu ouvido inglez.

Esta especie de divertimento era d'aquelles, a que, por excentricidade, mui frequentemente se entregava.

Felizmente para os dois convivas, os ouvidos d'elles não eram mais pechosos em cousas de harmonia, do que os de Mr. Richard; porque se não fosse isso, nem eu sei calcular os resultados gravissimos que podia ter aquella barbara occupação.

Cecilia, Jenny e Carlos, esses estavam muito absorvidos por os proprios pensamentos, para que os incommodasse o selvagem prazer de Mr. Whitestone, sob cujos dedos gemia, como um suppliciado, o magnifico piano de Erhard, victima d'esses caprichos anti-musicaes.

Emquanto isto se passava, Cecilia dizia a Jenny:

—Por favor lh'o peço, Jenny! Deixe-me ficar aqui! Eu não sei se poderia por muito tempo suster esta tristeza que se me pôz no coração. Tenho mêdo de chorar.

—Creança!—respondia Jenny—Não estou eu ao pé de si? Não seja assim fraca. Esse seu coração deu-se agora a phantasiar desgraças impossiveis, que não se concebem.

—Impossiveis?!

—Impossiveis, sim. Olhe, Cecilia; eu andei primeiro do que a menina em imaginar futuros negros. Cecilia ria ainda e eu estava já séria. Este Carlos tem-me obrigado muitas vezes a isto e d'esta vez sobre tudo…

—Jenny!